Prefeito afastado de Riacho de Santana vive ascensão e queda política em menos de dois anos
João Vitor viveu uma ascensão meteórica seguida de uma queda inesperada em menos de dois anos, desde que passou a ser alvo de investigações.
RIACHO DE SANTANA — Vaidoso e pouco discreto, o prefeito afastado de Riacho de Santana, na região sudoeste da Bahia, João Vitor Martins Laranjeira, 38 anos (PODE), viveu uma ascensão meteórica seguida de uma queda inesperada em menos de dois anos, desde que passou a ser alvo de investigações conduzidas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal.
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João assumiu o comando do município em abril de 2024, após a renúncia do então prefeito Tito Eugênio Cardoso de Castro, que justificou o gesto como um ato necessário “para o bem da cidade”. Naquele momento, aliados afirmavam que a renúncia fazia parte de uma estratégia política para garantir a continuidade do grupo no poder — estratégia que teria funcionado, já que João conseguiu se eleger prefeito no pleito seguinte.
O retorno às urnas, porém, não sustentou sua permanência no cargo por muito tempo. Em outubro de 2025, apenas dez meses após iniciar seu primeiro mandato eletivo, João foi afastado por decisão judicial após nova fase da Operação Overclean, deflagrada pela Polícia Federal. A operação investiga uma suposta organização criminosa suspeita de fraudes licitatórias, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo recursos federais. Com o afastamento, Tito voltou ao cargo, reacendendo bastidores políticos de que o “feitiço teria virado contra o feiticeiro”, já que sua renúncia anterior teria sido motivada por pressões do grupo de João.
Na semana passada, o Ministério Público Federal abriu um inquérito civil público para analisar suspeitas de improbidade administrativa e irregularidades em contratos firmados na gestão do prefeito afastado. As investigações também apontam que João Vitor manteria vínculos com o deputado federal Dal Barreto (União Brasil), igualmente alvo da Overclean.
De acordo com os autos, o parlamentar teve o celular apreendido e mantinha contato frequente com o gestor durante sua administração. Para aliados, as chances de João reassumir o controle do município diminuíram após o avanço das denúncias. Parte do seu grupo político avalia que o cenário atual torna inviável seu retorno ao comando de Riacho de Santana.
Em meio à crise, o prefeito afastado divulgou uma nota pública para tentar estancar o desgaste. No texto, João afirma que a divulgação foi “equivocada”, ao tratar a prorrogação de prazo de um procedimento administrativo como se fosse “fato novo ou indício de irregularidade”. “A medida adotada pelo MPF é técnica, formal e absolutamente rotineira, não representando qualquer avanço investigativo ou juízo de ilegalidade”, diz um trecho da nota.
Enquanto isso, o clima político no município é de expectativa — e, para muitos, de luto político — diante da indefinição sobre o futuro do jovem gestor que, em menos de dois anos, saiu do auge para o ostracismo.