Prefeito afastado de Riacho de Santana é sócio de empresa envolvida em contrato de R$ 7 milhões com a Prefeitura de Correntina

João Vitor é sócio de empresa envolvida em contrato de R$ 7 milhões com a Prefeitura de Correntina, conforme dados da Receita Federal.

Contrato de prestação de serviço. Foto: reprodução DOM

SALVADOR — O contrato de R$ 7 milhões firmado entre a Prefeitura de Correntina, na região oeste da Bahia, e um posto de combustíveis do município continua repercutindo e gerando novos desdobramentos. Conforme informações publicadas pelo site A TARDE, documentos oficiais apontam que entre os sócios da empresa contratada estão o ex-prefeito de Riacho de Santana, João Vitor (PSD), atualmente afastado do cargo, e o deputado federal Dal Barreto (União Brasil).

O acordo, publicado no Diário Oficial do Município (DOM) em 9 de dezembro de 2025, prevê o fornecimento de 1.162.000 litros de combustíveis para abastecer a frota pública. A gestão municipal é comandada pelo prefeito Walter Mariano Messias de Souza, conhecido como Mariano Correntina (União Brasil).

Consulta ao Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e ao Quadro de Sócios e Administradores (QSA) da Receita Federal mostra que o posto contratado atua no comércio varejista de combustíveis e serviços correlatos, tendo como sócio-administrador o ex-prefeito afastado João Vitor. Para fins comparativos, o volume contratado seria suficiente para dar aproximadamente 352 voltas ao redor do planeta em menos de seis meses, considerando o consumo médio de veículos de grande porte.

João Vitor foi afastado do comando da Prefeitura de Riacho de Santana em outubro do ano passado, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Desde então, o município passou a ser administrado interinamente por Tito Eugênio Cardoso de Castro (Podemos). Procurado, o ex-prefeito não se manifestou sobre o caso.

Em nota, a assessoria do deputado federal Dal Barreto informou que o contrato ocorreu por meio de credenciamento público, nos termos da legislação, e destacou que não houve fornecimento de combustível nem movimentação financeira até o momento. O caso segue sob acompanhamento e pode ser alvo de apurações por órgãos de controle.

Em nota, a Prefeitura de Correntina afirmou:

“Diante das informações que vêm sendo divulgadas sobre o contrato de fornecimento de combustíveis firmado pela Prefeitura de Correntina, é importante esclarecer que o referido processo ocorreu por meio de credenciamento público de postos de combustíveis, conforme previsto na legislação vigente, garantindo isonomia e transparência entre os interessados.

O posto citado apenas realizou o credenciamento, assim como outros estabelecimentos aptos a participar do chamamento. No entanto, é fundamental destacar que não houve fornecimento de nenhum litro de combustível, tampouco foi emitida qualquer nota fiscal relacionada a esse contrato até o momento.

Portanto, não existe, na prática, qualquer movimentação financeira, abastecimento ou execução contratual que possa ser atribuída ao deputado federal mencionado. Associar o parlamentar a eventuais irregularidades, sem que haja consumo, pagamento ou benefício concreto, é uma distorção dos fatos.

Reforçamos que o deputado não possui ingerência sobre os processos administrativos da Prefeitura e que sua inclusão em especulações sem base factual contribui apenas para a desinformação.

Seguimos à disposição para esclarecimentos adicionais.”

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