Em entrevista ao O Estado de S. Paulo, Otto Alencar critica possibilidade de “chapa puro-sangue” do PT na Bahia
O senador afirmou que a hipótese de Angelo Coronel assumir uma suplência seria inaceitável, e que a proposta que não deveria ter sido feita.
BRASÍLIA — Em entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo, o senador Otto Alencar (PSD) criticou a possibilidade de formação de uma “chapa puro-sangue” do PT na Bahia e citou o histórico eleitoral desse tipo de composição, mencionando as eleições de 2006, quando uma chapa majoritária ligada ao carlismo foi derrotada.
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O senador afirmou que a hipótese de Angelo Coronel assumir uma suplência seria inaceitável. “Isso fere o amor-próprio dele. É uma proposta que não deveria ter sido feita”, declarou.
Alencar informou ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve atuar como mediador da crise entre os partidos no estado. Na avaliação do senador, chapas formadas por um único grupo político tendem a enfrentar dificuldades eleitorais.
O senador teria lembrado a disputa em que Paulo Souto e Eraldo Tinoco, então apoiados pelo grupo carlista, foram derrotados por Jaques Wagner, eleito governador da Bahia. Ele comentou as articulações em torno da chapa majoritária para 2026 e deixou claro que rejeitou uma proposta para que o deputado federal Diego Coronel (PSD), filho do senador Angelo Coronel, ocupasse a vaga de vice-governador, como forma de amenizar tensões internas diante da possibilidade de Angelo ficar fora da composição.
Após a repercussão da reportagem, Otto Alencar negou ter usado a palavra “carniça” para se referir a adversários políticos ou à eventual chapa puro-sangue do PT. Em nota enviada à imprensa nesta sexta-feira (16), a assessoria do senador classificou a informação como falsa e afirmou que ele foi mal interpretado.
“A única observação feita pelo senador foi que, historicamente, as chamadas chapas ‘puro-sangue’ não obtiveram êxito eleitoral”, diz o comunicado. A assessoria reforçou que Otto “em nenhum momento utilizou termos ofensivos ou depreciativos para se referir a adversários políticos”.
Nota do senador
“O senador Otto Alencar repudia veementemente a matéria publicada nesta sexta-feira (16) pelo jornal O Estado de S. Paulo, assinada pelo jornalista Daniel Weterman. Em nenhum momento o senador utilizou qualquer termo pejorativo para se referir a adversários políticos, tampouco a expressão que lhe foi atribuída. Presidente do PSD na Bahia e da CCJ no Senado, Otto Alencar apenas relembrou, em entrevistas, que chapas chamadas de “puro-sangue”, historicamente, não obtiveram êxito eleitoral, citando como exemplo a eleição de 2006 na Bahia, quando uma chapa da oposição, encabeçada pelo mesmo partido (Paulo Souto / Eraldo Tinoco) foi derrotada por Jaques Wagner, que se elegeu governador do Estado. O senador Otto reafirma seu compromisso com o debate político respeitoso e responsável e rechaça a distorção de suas declarações.”