Saúde mental gera preocupação na cidade de Malhada
Em 2016, Malhada aparecia entre os municípios da região com maior número de mortes autoprovocadas, ficando atrás de quatro cidades.
MALHADA — Nos últimos meses, muito se tem falado sobre a importância da saúde mental. Casos de depressão, ansiedade e até surtos psicóticos têm se tornado cada vez mais frequentes e públicos em diversas cidades do país.
O Portal Folha do Vale está nos Canais do WhatsApp; veja como participar. Pelo nosso canal você recebe notícias atualizadas de hora em hora.
Em muitos casos, as próprias famílias não conseguem identificar o problema e, por desconhecimento, tratam os sintomas como “frescura”. No município de Malhada, na região sudoeste da Bahia, a preocupação tem aumentado, principalmente entre adolescentes e jovens.
Em 2018, uma reportagem do Portal Folha do Vale já alertava para casos de automutilação registrados nos distritos de Julião e Canabrava. Na época, a psicóloga Tainara Nascimento da Silva Xavier informou que a equipe de atendimento psicológico do município acompanhava cerca de 120 pessoas por mês. “Essas pessoas são encaminhadas para outros profissionais”, afirmou.
Quase oito anos depois, o cenário continua preocupante. Na semana passada, um jovem do distrito de Canabrava morreu após um episódio relacionado à saúde mental, enquanto uma adolescente da comunidade de Serra do Justino precisou ser socorrida após ingerir uma substância tóxica.
Em 2016, Malhada aparecia entre os municípios da região com maior número de mortes autoprovocadas, ficando atrás apenas de Guanambi, Candiba, Palmas de Monte Alto e Carinhanha. A reportagem não conseguiu dados atualizados de 2025, já que muitos desses registros não são catalogados oficialmente pelos municípios.
O suicídio ainda é tratado como tabu em muitas comunidades. O próprio Ministério da Saúde possui orientações específicas para a divulgação desses casos, buscando evitar o chamado “efeito contágio”, quando a exposição inadequada pode influenciar pessoas em situação de vulnerabilidade.
Desde 2015, a campanha Setembro Amarelo chama atenção para a importância da prevenção e da identificação precoce de fatores de risco. A proposta é promover conscientização da mesma forma como ocorre em campanhas voltadas para doenças como diabetes, câncer e problemas cardiovasculares.
No entanto, especialistas alertam que o debate sobre saúde mental ainda recebe menos atenção do que deveria. Em alinhamento com diretrizes da Organização Mundial da Saúde, o Ministério da Saúde orienta que os casos sejam tratados com responsabilidade pela imprensa, evitando exposição excessiva, detalhes sobre métodos e imagens das vítimas.
Para profissionais da área, os meios de comunicação também possuem papel importante na prevenção. “A orientação não é deixar de divulgar, mas tratar o assunto sem glamourização. Evitar fotos da vítima e detalhes sensacionalistas ajuda a prevenir novos casos”, explicou uma psicóloga ouvida pela reportagem.
Se você ou alguém próximo estiver enfrentando sofrimento emocional, procure ajuda profissional. O atendimento gratuito e sigiloso do Centro de Valorização da Vida pode ser acessado pelo telefone 188.
11 sinais de tendência suicida
1. Tristeza excessiva e isolamento
A tristeza excessiva e o isolamento podem ser um sinal de desgaste mental do indivíduo. Logo, aos poucos a pessoa vai se afastando dos amigos, da família, e de tudo. Sendo assim, não realiza as atividades que gosta e parece não estar mais interessada em nada.
Às vezes a pessoa pode não perceber o que está passando com ela, por isso, é importante notar como as pessoas ao seu redor estão agindo. A tristeza profunda e constante pode significar que a pessoa não está bem e precisa de ajuda.
2. Frases de alerta
Nunca devemos subestimar o que uma pessoa está falando, muito menos, menosprezá-las. Quando alguém falar “eu quero morrer”, não a classifique como dramática, fique atento a tendência suicida.
Um exemplo claro disso é quando os adolescentes falam isso e costumam não ser levados a sério, o que é extremamente perigoso. O pedido de socorro pode ser explícito e devemos estar atentos a cada um deles.
Preste atenção nas seguintes frases ou correlatas:
- “Eu preferia estar morto”;
- “Eu não posso fazer nada”;
- “Os outros vão ser mais felizes sem mim”;
- “Eu não aguento mais”;
- “Eu sou um perdedor e um peso pros outros”.
3. Consumo abusivo de bebidas, drogas e remédios
O consumo abusivo de drogas ilícitas e lícitas representa a angústia pelo qual a pessoa está passando, o que leva ela a procurar fugas da realidade. Logo, é uma das maneiras que a pessoa acha de tentar escapar das dificuldades do mundo real e encontrar um alívio imediato.
Contudo, o risco dessa situação, principalmente em pessoas com depressão e que estão pensando em como se matar, é o efeito desses componentes. O consumo abusivo deles pode desencadear um momento impulsivo, o que pode resultar no suicídio.
4. Resolução de assuntos pendentes
Pagar dívidas e contas. Desapegar-se dos bens materiais. Despedir-se de pessoas próximas. Quando a pessoa planeja se matar, ela começa a agir como se fosse realizar alguma viagem de longa duração.
Portanto, procura fazer a resolução de assuntos pendentes para não deixar nada a ser resolvido com as pessoas próximas ou com o mundo material. Tome cuidado, pois esses podem ser sinais de que o suicídio já foi definido.
5. Melhora aparente
“Mas ela melhorou tanto. Nem parecia mais triste”. Não é por que a pessoa deixa de demonstrar tristeza, que está tudo bem. Principalmente, se for uma mudança repentina. É comum haver uma melhora repentina antes do suicídio.
A melhora ocorre, geralmente, porque a pessoa decide o que fazer. Sendo assim, não possui mais conflito interno e ela passa agir como se estivesse bem. Nessas situações, é importante prestar atenção na mudança súbita de comportamento, pois pode indicar que a pessoa irá tentar se matar.
6. Falar sobre ser um fardo
Quando alguém expressa que é um fardo para os outros, isso pode indicar uma crença profunda de que sua presença causa dor ou dificuldades aos entes queridos.
Contudo, essa perspectiva distorcida muitas vezes é alimentada por uma visão negativa de si mesmo, levando a pessoa a acreditar que não contribui de maneira positiva para a vida das pessoas ao seu redor.
O sentimento de ser um fardo pode emergir de várias fontes, como autoestima baixa, culpa não resolvida, depressão ou outras condições de saúde mental.
7. Dizer adeus ou fazer despedidas
Comentários que soam como despedidas finais ou preparações para o adeus podem ser um indicativo alarmante de que a pessoa está em um estágio avançado de sua luta interna e possivelmente planejando um ato suicida.
Esses tipos de comunicações podem variar desde mensagens explícitas, como “Adeus, nunca mais vou te ver”, até declarações mais sutis, como “Espero que você se lembre de mim”. Independentemente da forma como essas despedidas são expressas, é crucial levar todas elas a sério e agir imediatamente.
8. Agressão ou raiva intensa
Expressar raiva excessiva ou agressão pode ser uma forma de liberar a dor emocional. Para algumas pessoas, é difícil expressar tristeza ou desesperança, então essas emoções se transformam em raiva direcionada para dentro ou para fora.
No entanto, quando essa raiva é direcionada para dentro, a pessoa pode se culpar excessivamente, reforçando ainda mais a crença de que são inadequados ou que merecem sofrer. Isso pode agravar sentimentos de desesperança, alimentando o ciclo negativo de pensamentos.
9. Deterioração do autocuidado
Quando alguém começa a negligenciar cuidados pessoais básicos, como higiene, alimentação e sono, isso pode indicar que a pessoa está perdendo a vontade de cuidar de si mesma. A falta de autocuidado pode ser um sinal de desesperança e desinteresse pela própria vida.
Todavia, a negligência da higiene pessoal, como não tomar banho regularmente ou não cuidar dos cabelos e da pele, pode refletir a perda de uma imagem positiva de si mesmo. A pessoa pode não sentir a necessidade de se cuidar externamente, uma vez que está lutando com emoções internas avassaladoras
10. Busca de meios letais
A busca ativa por meios letais, como armas, substâncias tóxicas ou objetos perigosos, é um sinal de alerta crítico que indica um risco iminente de comportamento suicida. Esse comportamento é considerado um dos indicadores mais sérios de que alguém está se preparando para causar dano a si mesmo.
Quando alguém começa a adquirir ou planejar métodos para se ferir gravemente ou tirar a própria vida, a situação se torna extremamente urgente e requer intervenção imediata.
11. Aumento de comportamentos arriscados
Participar de atividades arriscadas ou impulsivas pode ser uma forma de tentar sentir algo em meio à dor emocional. Esses comportamentos podem ser uma fuga temporária da realidade, mas também aumentam o perigo para a pessoa.
Esses comportamentos podem variar desde a participação em atividades perigosas, como dirigir em alta velocidade, até o abuso de substâncias, envolvimento em relações perigosas ou negligência de precauções de segurança.
