Força-tarefa para retomar navegação entre Bahia e Minas faz parada em Carinhanha
O objetivo da missão é preparar a logística para a retomada da navegação comercial na Hidrovia do Velho Chico, um dos eixos históricos.

CARINHANHA – Os olhos de José Alves Santana, de 83 anos, se encheram de lágrimas ao ver o comboio da força-tarefa atracar no porto de Carinhanha, na região sudoeste da Bahia, na tarde do último domingo (5).
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A equipe, formada por técnicos da Companhia das Docas do Estado da Bahia (CODEBA) e da Marinha do Brasil, partiu da cidade de Pirapora, no Norte de Minas Gerais, no dia 30 de março, com destino a Juazeiro, no norte baiano.
Os integrantes da operação pernoitaram em Carinhanha e seguiram viagem na manhã de segunda-feira (6). O objetivo da missão é preparar a logística operacional para a retomada da navegação comercial na Hidrovia do Rio São Francisco, um dos principais eixos históricos de transporte do país.
O deslocamento do comboio está sendo realizado com base em estudos técnicos, monitoramento contínuo e avaliação das condições hidrológicas favoráveis neste período de cheia.
A retomada da navegação está sendo estruturada a partir de critérios técnicos rigorosos, que incluem a análise do nível das águas, o mapeamento de trechos assoreados e a avaliação das condições de navegabilidade ao longo do percurso.
O período atual, marcado pela elevação do volume hídrico do rio, é considerado estratégico para a execução da operação. A CODEBA informou que o planejamento contempla o monitoramento permanente do rio, especialmente em áreas críticas, além da definição das melhores rotas para garantir segurança e eficiência no deslocamento das embarcações.
As barragens de Sobradinho (BA) e Três Marias (MG), próximas da capacidade máxima, contribuem diretamente para a melhoria das condições de navegação.
Para seu José, o sonho é ver novamente o lendário vapor Benjamin Guimarães navegando pelo Velho Chico. Por isso, ele não perde a esperança.
“Confesso que estou anestesiado com essas embarcações. Aqui foi como fazer uma viagem no tempo”, contou o idoso emocionado.
Comboio de embarcações será deslocado de Pirapora a Juazeiro
O comboio planejado para a travessia reúne diferentes tipos de embarcações, cada uma com funções específicas no processo de reativação da hidrovia:
- Uma barca de transporte
- Uma chata CS
- Uma draga tipo “matrichã”, utilizada em serviços de desassoreamento
- O barco-hotel Cidade Pirapora, com 28 camarotes e capacidade para até 80 passageiros
As embarcações serão levadas até Juazeiro, onde passarão por processos de manutenção e adequação operacional, preparando-se para integrar o sistema logístico da hidrovia.
O chefe de gabinete da CODEBA, Carlos Luciano, acompanhou de perto o planejamento em Pirapora e destacou o momento hidrológico favorável para a operação, além da conclusão dos trâmites documentais necessários junto ao DNIT.
Segundo ele, a autorização final da Marinha do Brasil é o último requisito para o início da navegação, previsto ainda para esta semana.
Dragagem e desafios estruturais da hidrovia
Com 1.371 quilômetros de extensão, a Hidrovia do Rio São Francisco enfrenta desafios estruturais históricos, especialmente relacionados ao assoreamento de trechos críticos, que limita a navegação contínua.
Para viabilizar a retomada das atividades comerciais, será necessário intensificar os serviços de dragagem, garantindo profundidade adequada para o tráfego de embarcações ao longo do percurso entre Pirapora (MG) e o eixo Juazeiro (BA) / Petrolina (PE).
A operação logística envolve elevado grau de complexidade técnica, exigindo precisão na condução das embarcações, coordenação entre diferentes órgãos e acompanhamento permanente das condições naturais do rio.
Importância econômica e logística da hidrovia
A reativação da hidrovia representa um passo importante para o fortalecimento da logística regional e nacional, especialmente no transporte de cargas agrícolas e insumos industriais.
Historicamente, o Rio São Francisco desempenhou papel estratégico na integração econômica do interior do Brasil, conectando regiões produtoras ao litoral.
A retomada da navegação comercial pode reduzir custos logísticos, ampliar a competitividade regional e reativar cadeias produtivas dependentes do transporte hidroviário.
Além do transporte de cargas, a presença do barco-hotel também indica potencial para o desenvolvimento do turismo fluvial, ampliando as possibilidades de uso econômico sustentável da hidrovia.
