Comportamento de delegado é criticado durante coletiva em Guanambi
Na entrevista, Barcelos fez alguns comentários considerados inadequados no momento em que esclarecia o duplo homicídio, ocorrido no último domingo (12), em Guanambi.
GUANAMBI – O delegado da 22ª Coordenadoria de Polícia do Interior (Coorpin) de Guanambi, Rhudson Silva Barcelos, foi bastante criticado por grupos de mulheres e profissionais da comunicação na tarde de terça-feira (14), entrevista coletiva concedida à imprensa.
Na entrevista, Barcelos fez alguns comentários considerados inadequados no momento em que esclarecia o duplo homicídio, ocorrido no último domingo (12), em Guanambi.
Integrantes da imprensa regional e colegas do delegado criticaram o comportamento do delegado. Nas redes sociais, um grupo de mulheres repudiou a postura do delegado quando falou “entre aspas”, que séria plausível um feminicídio diante de uma briga entre marido e mulher.
“Sinceramente, um show de horrores desse delegado. O delegado evidencia o despreparo da polícia guanambiense em lidar com crimes, de qualquer natureza, contra as mulheres”, comentou Camila Ávila.

Questionado pelos profissionais da imprensa acerca de uma possível reconstituição do crime, Barcelos respondeu que não haveria necessidade diante do depoimento de Marco Aurélio da Silva, 36 anos.
Em alguns momentos, Barcelos chegou a citar Jack Estripador, famoso assassino em série não identificado que atuou na periferia de Whitechapel, distrito de Londres, e arredores em 1888.
Para Camila Ávila o delegado foi infeliz ao comentar que roupas usadas pelas vítimas chamaram a atenção do criminoso. Em outro momento, Barcelos pediu para que às mulheres prestassem mais atenção vestes, como se a vítima fosse responsável pela violência sofrida.
Desprezo
No decorrer da entrevista, Barcelos desprezou o trabalho da Polícia Militar (PM) e citou que não houve ação conjunta para prender Marco. O delegado chegou a menosprezar o trabalho realizado pelo Serviço de Inteligência do 17º BPM, afirmando que os policiais estavam pegando ‘carona’.
Durante entrevista à Rádio Cultura no fim da tarde, o comandante 17º BPM, Arthur Mascarenhas, ressaltou que houve participação de policiais militares durante todo o desdobramento do caso e detalhou toda prisão. Ele fez duras críticas às posições do delegado, tanto em relação à Polícia Militar, quanto às falas consideradas machistas.
Imprensa
O delegado também ignorou o trabalho da imprensa local e priorizou os veículos maiores como: G1 e o programa Balanço Geral. O trabalho da imprensa local foi desvalorizado pelo coordenador Interino da 22ª Coorpin.
De acordo com os profissionais da imprensa, ignorar os veículos de comunicação local não é um comportamento democrático, além disso, fere o princípio da publicidade, pilar fundamental da democracia.