Onça-pintada é flagrada atravessando estrada na zona rural de Malhada, mas órgão ambiental nega soltura
Na imagem encaminhada ao Folha do Vale, a onça aparece caminhando tranquilamente antes de entrar em uma área de mata fechada.

MALHADA – Um motociclista registrou o momento em que uma onça-pintada foi vista atravessando uma estrada vicinal na manhã da última sexta-feira (12), na comunidade de Rasgão, zona rural de Malhada, no sudoeste da Bahia.
O Portal Folha do Vale está nos Canais do WhatsApp; veja como participar. Pelo nosso canal você recebe notícias atualizadas de hora em hora.
O flagrante foi feito por Wagner de Nego e rapidamente chamou a atenção dos moradores da região. Segundo Wagner, ele trafegava pela estrada por volta das 10h quando foi surpreendido pelo animal cruzando a via. Nas imagens, a onça aparece caminhando tranquilamente antes de entrar em uma roça.
O motociclista contou que o felino chegou a olhar em sua direção antes de seguir seu caminho. Apesar do susto, ele afirmou ter percebido que o animal não demonstrou comportamento agressivo.
O aparecimento da onça reacendeu discussões entre moradores sobre a presença desses animais no município. Nos últimos dias, voltaram a circular comentários de que onças teriam sido soltas na região por órgãos ambientais. No entanto, a informação foi negada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), que informou não ter realizado qualquer soltura da espécie em Malhada nos últimos anos. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente também afirmou desconhecer qualquer ação do tipo.
A reportagem ouviu o pecuarista Rui Moura, proprietário de uma das maiores Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) do município, com mais de três mil hectares. Ele relatou que, há décadas, a presença de onças era comum na propriedade da família. Segundo Moura, os animais chegaram a predar dezenas de cabeças de gado ao longo dos anos, mas não há registros recentes da espécie na área. O produtor também afirmou desconhecer qualquer informação sobre soltura de onças na região.
Especialistas consultados pela reportagem avaliam que os animais podem ter origem na região da Serra do Iuiu, onde ainda existem extensas áreas de vegetação preservada. De acordo com eles, a circulação desses felinos entre fragmentos de mata é um comportamento natural, especialmente em busca de alimento e território.
Os especialistas destacam ainda que ataques de onças a seres humanos são extremamente raros. Quando ocorrem, geralmente estão relacionados à proteção de filhotes, defesa de uma presa abatida ou situações em que o animal se sente encurralado. Eles alertam que a simples presença da espécie não representa risco imediato para a população.
Outro fator apontado pelos estudiosos é que o avanço do desmatamento e a redução das presas naturais podem aproximar esses animais de áreas ocupadas por humanos. Por isso, a recomendação é que os moradores mantenham a calma, evitem qualquer tentativa de perseguição e comuniquem os órgãos ambientais em caso de novos avistamentos.
A onça-pintada é o maior felino das Américas e desempenha papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas. No Brasil, a espécie é considerada vulnerável à extinção e enfrenta situação ainda mais crítica em alguns biomas, como a Mata Atlântica e a Caatinga. Especialistas alertam que a caça desses animais é crime ambiental e reforçam a importância da conservação da espécie.