Vereadores de Carinhanha são acusados de uso político em ação sobre escola municipal
A defesa do município também sustenta que a ação teria perdido seu objeto, uma vez que as melhorias já haviam sido concluídas.
CARINHANHA – CARINHANHA — Uma ação popular movida por três vereadores contra o Município de Carinhanha, no sudoeste da Bahia, gerou reação da administração municipal e acirrou os debates políticos no município.
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A gestão acusa os parlamentares de utilizarem politicamente uma ação judicial relacionada às condições estruturais da Escola Municipal José Rodrigues de Brito, localizada na comunidade de Vila São João. Os autores da ação são os vereadores Luan Leite de Brito (Luan do Povo), Adirlan Soares Cardoso (Pi do Luana) e Antônio Carlos Pereira de Carvalho (Toe Carlos).
Luan do Povo foi eleito na base de apoio da prefeita Francisca Alves Ribeiro, a Chica do PT, enquanto Pi do Luana integra o grupo político liderado por Léo do Luana e Toe Carlos é aliado do ex-prefeito Geraldo Pereira Costa, o Piau.
Segundo a Prefeitura de Carinhanha, os vereadores realizaram uma vistoria na unidade escolar em dezembro de 2025, ocasião em que teriam identificado problemas na estrutura do prédio. No entanto, conforme a administração municipal, nenhuma medida judicial foi adotada naquele momento e os reparos apontados teriam sido executados pela gestão nos meses seguintes.
Ainda de acordo com o município, a ação popular só foi protocolada em 13 de maio de 2026, cerca de cinco meses após a vistoria. A prefeitura sustenta que, quando o processo foi ajuizado, os problemas já haviam sido solucionados. Em razão disso, a Procuradoria Municipal apresentou à Justiça um pedido de reconsideração para revogar a liminar concedida aos vereadores.
O caso tramita na Vara dos Feitos de Relações de Consumo, Cíveis e Comerciais da Comarca de Carinhanha. Na petição assinada pelo procurador municipal Milton Pereira Pinto, a administração argumenta que realizou planejamento, adquiriu materiais e executou serviços de manutenção antes mesmo da abertura do processo.
Entre as intervenções citadas pela prefeitura estão a revisão das instalações elétricas e hidráulicas, substituição de pisos, portas e fechaduras, além de serviços de limpeza e reparos gerais na unidade escolar.
A defesa do município também sustenta que a ação teria perdido seu objeto, uma vez que as melhorias já haviam sido concluídas. Além disso, questiona a utilização da ação popular para exigir a execução de obras públicas, argumentando que existem instrumentos jurídicos mais adequados para esse tipo de demanda.
Nos bastidores políticos, o episódio também repercutiu dentro da base governista. Aliados da prefeita afirmam que a atuação de Luan do Povo tem causado desconforto e levantado dúvidas sobre seu posicionamento político. Um integrante do grupo governista, ouvido pela reportagem, afirmou que parte da base não sabe qual será o alinhamento do vereador nos próximos movimentos políticos.
Procurados pela reportagem, os vereadores citados tiveram espaço garantido para apresentar suas versões dos fatos. Luan do Povo informou que retornaria o contato para prestar esclarecimentos, mas não se manifestou até o fechamento desta matéria. Toe Carlos e Pi do Luana também não responderam aos questionamentos da reportagem.