Sócio de empresa ligada a caminhões em atos pró-Bolsonaro vira réu em ação civil pública na Bahia
Outro ponto levantado no processo é a suposta participação de integrantes do alto escalão ambiental do Estado nas discussões.
SALVADOR — Quase cinco anos após ganhar repercussão nacional por ter caminhões associados aos atos pró-Bolsonaro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, o empresário goiano José Fava Neto passou a figurar como réu em uma ação civil pública que tramita na Justiça da Bahia.
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A Ação Civil Pública nº 8080492-14.2026.8.05.0001 foi distribuída no último dia 29 de abril, na 5ª Vara da Fazenda Pública de Salvador. O processo foi movido pelo Instituto Thais Viotto por uma Sociedade Mais Justa para Todos, pela OSCIP Canto da Terra e pela Agência de Notícias de Direitos Animais.
Além de José Fava Neto, também são réus na ação o Estado da Bahia, a Santa Colomba Agropecuária Ltda., Gelci Zancanaro, José Tiecher, Via Vita Agronegócios Ltda. e Celeiro da Fazenda Ltda. O caso envolve denúncias relacionadas à mortandade de fauna silvestre em canais de irrigação no oeste baiano.
De acordo com a denúncia, existe preocupação com a possível supressão vegetal de aproximadamente 30 mil hectares em uma área considerada ambientalmente sensível, próxima a corredores ecológicos e regiões de preservação do Cerrado. O processo também menciona tratativas ou intenção de perfuração de cerca de 100 poços artesianos profundos, situação que, segundo os autores da ação, exige esclarecimentos públicos diante da pressão hídrica enfrentada pela região.
Outro ponto levantado no processo é a suposta participação de integrantes do alto escalão ambiental do Estado nas discussões envolvendo o empreendimento. As entidades autoras questionam se houve reunião com representantes da Secretaria de Meio Ambiente da Bahia para tratar da autorização de desmatamento em larga escala e cobram transparência sobre eventuais pedidos formais de licenciamento, estudos técnicos, pareceres do Inema e análises de impacto ambiental.
A possível abertura de 30 mil hectares no município de Cocos, aliada à perfuração de dezenas de poços artesianos, acendeu alerta entre ambientalistas e defensores do Cerrado. O receio é de que a intervenção provoque impactos sobre a fauna silvestre, os recursos hídricos e a dinâmica ecológica da região.
O nome de José Fava Neto também aparece ligado à Fazenda Alto Jaborandi, propriedade citada em outro caso envolvendo a morte de três lobos-guará encontrados em canais de irrigação. Na atual ação civil pública, os autores apontam suposta omissão fiscalizatória do Estado da Bahia e pedem medidas emergenciais, como instalação de mecanismos de escape nos canais, monitoramento técnico e responsabilização ambiental dos envolvidos.
As entidades responsáveis pela ação questionam como um produtor rural já citado em investigação ambiental relacionada à morte de animais silvestres poderia avançar em projetos de grande impacto territorial e hídrico sem amplo debate público e análise técnica aprofundada.
Até o momento, não houve divulgação pública sobre eventual autorização para supressão vegetal ou concessão de outorgas relacionadas aos poços artesianos mencionados na ação. A reportagem procurou a Secretaria de Meio Ambiente da Bahia, o Inema e representantes de José Fava Neto para esclarecimentos sobre o caso.
