Avanço da doença de Chagas em Malhada evidencia falhas na prevenção
Durante uma sessão ordinária, o vereador Del da Serra chamou atenção para o aumento dos casos no povoado de Serra de João Alves.
MALHADA – O aumento de casos da doença de Chagas no município de Malhada, na região sudoeste da Bahia, tem preocupado autoridades e especialistas da área da saúde. O problema é antigo, mas parte da população, especialmente da zona rural, tem se acomodado, o que contribui para o crescimento dos números.
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Em 2007, o tema já havia sido alertado pela então agente de saúde Ana Leão, falecida em 2014. Ela criou a ORGAPEC (Organização de Assistência a Pessoas com Câncer e Chagas), que atuava no apoio a pacientes com a doença de Chagas e câncer. Após sua morte, a entidade também foi dissolvida.
Durante uma sessão ordinária, o vereador Del da Serra chamou atenção para o aumento dos casos no povoado de Serra de João Alves. Segundo ele, o número de insetos encontrados na comunidade é preocupante, o que exige maior atenção das autoridades.
Em 2012, a então coordenadora da Dires, Doroteia, afirmou em entrevista que Malhada estava entre os nove municípios da área de risco para a doença, destacando a necessidade de redobrar a atenção. Na ocasião, ela ressaltou que a enfermidade vinha atingindo públicos e localidades consideradas atípicas, indicando mudanças no padrão de transmissão.
Ainda segundo a coordenadora, diante desse cenário, era necessária a adoção de novas estratégias de prevenção e combate ao barbeiro, inseto transmissor da doença, além do reforço das ações de vigilância em saúde na região.
Quase 12 anos depois, o cenário apresenta poucas mudanças. Pessoas continuam recebendo o diagnóstico da doença, que não tem cura, mas possui tratamento, muitas vezes iniciado de forma tardia.
Em conversa com o secretário de Saúde, Ricardo Dias, ele também alertou para o número de casos. Segundo o gestor, a equipe da Vigilância Epidemiológica tem realizado ações constantes, e a orientação é que, ao encontrar o barbeiro em casa, a população não o mate, mas o capture com segurança e o entregue à Secretaria de Saúde para análise.
Ricardo destacou ainda que a região permanece como área de risco e que, além do poder público, a população precisa fazer sua parte. O aumento da criação de galinhas e outros animais nos perímetros urbanos tem contribuído para a presença do inseto, já que ele se alimenta de sangue.
Entre 2006 e 2012, a então vereadora Ana Leão elaborou um mapeamento das comunidades com maior número de casos, incluindo Serra de João Alves, Serra do Justino, Riachão, Caatinga Seca, Fundão, Julião, Parateca e Pau D’Arco. Na sede do município, os registros eram menores.
Em 2026, ainda não há dados atualizados por comunidade, conforme apurou a reportagem da Folha do Vale.
