Matina: o retrato do descaso e da perseguição na Areninha da Quixaba
O bloqueio não foi feito por vândalos, mas pelo próprio proprietário da área, que, em um gesto de generosidade cedeu o terreno.

MATINA — O que deveria ser um espaço de lazer e incentivo ao esporte para a juventude acabou se transformando em um símbolo de abandono. Cansado do descaso e alegando perseguição por parte da Prefeitura de Matina, o cidadão que doou o terreno decidiu tomar uma atitude drástica.
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A imagem fala por si e causa indignação em quem valoriza o bem público. Na comunidade da Quixaba, a chamada “Areninha”, que deveria servir como palco de partidas de futebol e momentos de convivência para os jovens, hoje está tomada pelo mato e cercada por arame farpado.
O bloqueio não foi feito por vândalos, mas pelo próprio proprietário da área, o mesmo homem que, em um gesto de generosidade e pensando no bem-estar da comunidade, cedeu o terreno para que a Prefeitura implantasse o equipamento esportivo.
O roteiro dessa história, infelizmente, parece seguir um padrão já conhecido por parte da população de Matina: promessas, obras iniciadas com forte divulgação e, posteriormente, abandono. Sem manutenção adequada, a estrutura acabou sendo tomada pela vegetação, tornando o espaço inutilizado e até perigoso para a comunidade. Na prática, um investimento público que acabou perdido.
No entanto, o abandono estrutural é apenas parte do problema. Ao cercar o local com estacas e arame farpado, o doador afirma estar fazendo um protesto diante da situação. Segundo ele, além do descaso com o espaço, também estaria enfrentando perseguições por parte do poder público municipal.
Quem um dia colaborou para que a comunidade tivesse um espaço esportivo agora afirma sentir-se desrespeitado pela própria gestão pública que deveria cuidar do equipamento.
Diante desse cenário, surgem questionamentos inevitáveis: onde está a Secretaria responsável pela manutenção dos equipamentos públicos? Por que o espaço foi deixado chegar a esse estado de abandono? E qual será a posição da Prefeitura diante da situação?
Até o momento, essas perguntas seguem sem respostas claras.
Quando um cidadão que contribuiu para o desenvolvimento da comunidade se vê obrigado a cercar o próprio terreno para protestar contra o poder público, o episódio revela não apenas um problema de gestão, mas também um desgaste na relação entre a administração municipal e a população.
Enquanto isso, a comunidade da Quixaba permanece sem o espaço de lazer que lhe foi prometido. O investimento público segue sem utilidade, e a Areninha, que deveria representar esporte e convivência, acabou se tornando motivo de questionamento e insatisfação.